200 - Retorno
- Rafael_Fera
- 1 de fev. de 2025
- 6 min de leitura
Atualizado: 2 de fev. de 2025
Os espectadores ficaram aterrorizados. Aqueles eram anciões do Clã Floral, que estavam no Núcleo Espiritual, mas foram mortos sem que Kael levantasse um dedo.
Em especial, o terror dos três cultivadores que enfrentaram Kael antes estava nas alturas. Suas almas quase saíram do corpo, mas não por causa do efeito dos Olhos de Deus, e sim pelo medo absoluto.
"Nós escapamos de uma calamidade", disse um deles, com o corpo encharcado de suor.
"Felizmente, não continuamos provocando-o, ou então nem saberíamos como morremos", falou o cultivador cujo braço Kael machucou.
"Ele não estava nos levando a sério antes", comentou o terceiro, sem saber se ficava feliz ou triste com essa realidade.
O que eles não sabiam era que, antes, Kael não tinha a capacidade de fazer isso. Sua alma era poderosa, mas não nessa medida. No entanto, evoluiu aos trancos e barrancos depois de absorver a alma de Chu Peng, ganhando uma evolução tanto quantitativa quanto qualitativa.
Antes, Kael já era capaz de matar cultivadores que estavam um pequeno reino acima do seu, utilizando ataques da alma, desde que o cultivador não fosse especialmente forte. Agora que o poder de sua alma havia alcançado o pico do Núcleo Médio, era natural que ele conseguisse matar cultivadores no início desse estágio com facilidade. Se ele encontrasse um cultivador no início do Núcleo Superior e a alma do mesmo não fosse relativamente forte, poderia acabar sofrendo o mesmo destino desses dois anciões do Clã Floral.
A incursão de Kael nessa residência foi muito lucrativa. Ele não apenas encontrou e adquiriu a Árvore da Vida, como sua força aumentou exponencialmente. Além disso, conseguiu o legado de matrizes de Chu Peng e alguns insights para melhorar sua Semente do Universo. Os ganhos que os outros tiveram não se comparavam aos dele.
"Como pode uma coisa dessas?", disse Maria, incrédula e com o corpo tremendo.
"Dois cultivadores do Núcleo Espiritual, mortos como se não fossem nada", disse o ancião do Clã Ametista.
Ele estava no mesmo nível daqueles dois, então o medo que sentia ao olhar para Kael era evidente.
Kael desativou os Olhos de Deus, mas sua visão percorreu os cultivadores presentes. Todos sentiram um arrepio e desviaram o olhar imediatamente, temendo encarar aqueles olhos demoníacos. Mesmo que Kael tivesse desativado os olhos dourados, ninguém tinha coragem de encará-lo, pois não sabiam o que poderia acontecer. A cena de antes foi impactante e assustadora demais.
Kael revelou um pequeno sorriso. Essa situação era um pouco parecida com quando ele derrotou o líder da tribo Ki na Floresta da Morte, e era exatamente o que ele queria ver. Matar instantaneamente um oponente com um ataque da alma já era algo bem impressionante, imagine dois, e que tinham um cultivo superior ao dele. Kael queria plantar terror nos corações desses cultivadores para que não ficassem em seu caminho. Mesmo que não tivesse medo deles, não queria ficar o tempo todo lutando em batalhas sem sentido e perdendo tempo.
Ele olhou para os corpos dos dois cultivadores e pensou: "Então, eu finalmente atingi esse nível."
Kael estava cheio de excitação; até mesmo ele estava impressionado. Até pouco tempo atrás, tinha dificuldade para lutar com cultivadores no início do Núcleo Espiritual, mas agora conseguia matá-los tão facilmente. Ele já estava se aproximando do nível de seu pai, Orion.
Tudo parecia um sonho. Kael sempre acreditou que esse dia chegaria, mas nunca pensou que seria tão rápido.
"Estou muito mais perto de meu objetivo."
Mesmo agora, Kael não tinha esquecido de seu desejo de infância. O dia em que quebraria os grilhões desse mundo estava se aproximando, e ele acreditava que seria nesse momento que Lia lhe contaria as coisas que estava mantendo para si.
Kael parou de prestar atenção àqueles cultivadores e começou a sair.
"Espere um momento, por favor!", gritou Maria.
Kael franziu a testa e olhou para ela. Ele não sabia o que essas pessoas ainda queriam.
Vendo Kael encarando-a, o coração de Maria quase saiu pela boca, mas ela se forçou a se acalmar e disse com a voz trêmula: "Você poderia nos ajudar a passar pelas armadilhas novamente?"
Os olhos dos outros se iluminaram. Se Kael não os ajudasse, passariam por outra situação perigosa, mas, com sua ajuda, provavelmente sairiam ilesos.
"Por que eu deveria fazer isso?", Kael perguntou casualmente. Ele já estava ficando farto dessas pessoas.
Maria engoliu em seco. Ela sabia que Kael não tinha uma boa impressão deles.
"Só estou pedindo sua ajuda. Você deve ter percebido que nesta casa não há mais nada além dessa caverna, então não há mais nenhum tesouro e ninguém ficará no seu caminho. Mesmo que ficasse, alguém poderia roubar algo seu?" No final, ela não pôde deixar de dar um sorriso depreciativo.
Os outros cultivadores ficaram em silêncio. Dessa vez, ninguém tentou intervir para não piorar as coisas; apenas esperavam que Maria conseguisse convencer Kael.
Kael ponderou por um momento. O que Maria disse realmente fazia sentido. Além disso, não custaria praticamente nada para ele levar essas pessoas.
"Tudo bem, será o mesmo de antes." Kael assentiu e, então, criou os círculos de energia espiritual.
Todos os cultivadores ficaram radiantes de alegria. Já sabiam o que fazer, então correram para os círculos enquanto agradeciam.
"Muito obrigado, jovem mestre!", disse uma cultivadora.
"Não vamos esquecer esse favor", disse outro cultivador.
Todos deram seus agradecimentos e suas promessas de retribuição, mas Kael não levou isso a sério. Mesmo que alguém realmente tivesse intenção de retribuir, muito provavelmente não teria capacidade para isso.
Maria deu um suspiro de alívio e também entrou em um dos círculos de energia.
Kael ativou os Olhos de Deus e começou a fazer o caminho de volta. Vendo a luz dourada, os corpos de todos os cultivadores estremeceram. Mesmo que Kael estivesse suprimindo os Olhos de Deus novamente, apenas aquele brilho era suficiente para fazê-los lembrar do que tinha acontecido momentos atrás, mas eles só podiam cerrar os dentes e continuar.
Rapidamente, todos chegaram a um local seguro e, só então, puderam respirar aliviados. Aquele local era cheio de perigos e, em comparação, os tesouros eram poucos.
Os cultivadores viviam entre a vida e a morte, arriscando suas vidas por tesouros, mas esses riscos deveriam ter retornos equivalentes. Ao se arriscar tanto para não conseguirem quase nada, não podiam evitar sentir um gosto amargo.
Maria, lembrando-se do que aconteceu com Chu Ju e os anciões de seu clã, sentiu-se um pouco afortunada. Tanto ela quanto Chu Ju vieram acompanhados de dois anciões para protegê-los, mas, além da perda do próprio Chu Ju, perder dois anciões foi um golpe severo para o clã Floral. Sua força seria bastante reduzida, e eles seriam muito mais contidos diante do clã Ametista a partir de agora. Ela se sentia afortunada por ter escapado com vida e por seu clã ter ganhado essa vantagem inesperada.
"Nosso maior rival acabou de sofrer uma grande perda. Ninguém poderá ficar no caminho do clã Ametista agora", pensou ela, com os olhos em chamas.
Todos começaram a sair daquele lugar. No meio do caminho, encontraram alguns cultivadores que estavam chegando, animados com a possibilidade de encontrar tesouros. Kael e os outros apenas lhes lançaram olhares estranhos. Aqueles cultivadores não apenas teriam uma grande decepção, como também poderiam acabar perdendo a vida.
No trajeto, passaram novamente pelas minhocas gigantes, mas, como dessa vez estavam juntos e muitas das criaturas já haviam sido mortas, não foi tão difícil superá-las.
"A saída está ali!" gritou um dos cultivadores, animado.
"Finalmente vamos sair desse maldito lugar!" exclamou outro.
A alegria se espalhou rapidamente pelo grupo. Todos já estavam fartos daquele ambiente sufocante. Aceleraram o passo e rapidamente passaram pela porta. Kael seguiu logo atrás. Apesar de ter ficado satisfeito com o que conseguiu ali, também queria dar o fora daquele lugar.
Ao atravessarem a saída, sentiram o ar fresco atingir seus rostos. O clima era muito mais agradável do que o do deserto do qual haviam acabado de sair. Porém, quando olharam ao redor, foram pegos de surpresa. Dois cultivadores no reino da Alma Nascente estavam parados na entrada, observando-os.
Um deles era um homem de meia-idade, bastante robusto. Seu corpo lembrava o de um urso, e ele vestia um casaco de pele animal, o que lhe dava uma aparência verdadeiramente selvagem. Em suas costas, carregava uma lâmina estranha—grande e grossa—cujo fio de corte era praticamente inexistente, indicando que era usada com força bruta.
O outro cultivador parecia mais erudito. Também de meia-idade, passava uma sensação de calma e serenidade. Vestia um jaleco branco e não portava nenhuma arma aparente, mas sua presença exalava perigo.
Os olhos dos dois percorreram as pessoas que acabavam de sair da casa, revelando um ar brincalhão, como o de um predador observando sua presa.
"Amigos, onde vão com tanta pressa?" perguntou o homem do jaleco, com um sorriso gentil.
"Se vocês já estão saindo, quer dizer que pegaram tudo que havia nesse lugar", disse o homem robusto, lançando um olhar afiado.
Os rostos de todos, inclusive de Kael, afundaram. Eles perceberam que as coisas provavelmente não acabariam bem.

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