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224-Clã Águia

  • Foto do escritor: Rafael_Fera
    Rafael_Fera
  • 25 de fev. de 2025
  • 6 min de leitura

Um homem estava passando por uma rotina intensa de treinamento. Ele estava em uma floresta, desfrutando da natureza enquanto fazia musculação, corria, carregava pesos e treinava com a espada.


Sua idade parecia estar na casa dos vinte e cinco anos, claramente já tendo passado muito do tempo ideal para começar a cultivar, mas o homem aparentava ter iniciado sua jornada de cultivo há pouco tempo, estando apenas no Refinamento Básico, o que era bastante curioso.


Suor escorria de seu corpo cansado, enquanto ele respirava com dificuldade.


Depois de várias horas, o homem finalizou seu treinamento e começou a sair da floresta.


Ele observava a natureza e ouvia os pássaros cantando; apesar de seu corpo estar completamente exausto, sentia-se muito bem e completamente livre.


Quando saiu da floresta, chegou a um local cercado por um muro de madeira. O muro não era nada impressionante – era baixo e desalinhado, claramente algo feito por pessoas sem muita experiência.


Ao se aproximar, era possível ver algo escrito acima do portão: Clã Águia.


O homem caminhou até o portão; o guarda apenas olhou para ele e assentiu, pois já o conhecia. O homem cumprimentou-o de volta e entrou.


Dentro do cercado havia o que parecia ser uma vila, com casas simples de madeira; as casas não eram muito grandes nem muito refinadas, mas pareciam relativamente aconchegantes. Ocasionalmente, algumas pessoas passavam por ele e, como o lugar era pequeno, todos se conheciam e se cumprimentavam.


"Olá, Xiao She!" Cumprimentou um garoto que aparentava ter cerca de quinze anos.


O homem acenou e cumprimentou de volta, com um sorriso: "Tudo bem, Ye Lin?"


Xiao She ficou admirado com o jovem, que também estava no Refinamento Básico, assim como ele. Apesar de estarem no mesmo reino de cultivo, esse garoto provavelmente o ultrapassaria em pouco tempo e conseguiria ir muito mais longe do que ele.


Essa era a vantagem de começar a cultivar mais cedo. No clã, além desse garoto, havia jovens que começaram ainda mais cedo, de modo que suas perspectivas futuras seriam ainda melhores. Claro, existiam exceções, pessoas que eram extremamente talentosas e conseguiam superar essa desvantagem, mas eram a minoria.


Xiao She estava prestes a continuar seu caminho quando Ye Lin o parou e perguntou, animado: "Você participará da incursão?"


Xiao She ficou surpreso. "Que incursão?"


"Você não sabe?" Respondeu o jovem, sem acreditar que Xiao She não soubesse sobre isso.


"Foi anunciado há dois dias: algumas pessoas encontraram uma caverna e, segundo elas, nela há um pergaminho. Aquele pergaminho deve conter uma técnica de cultivo ou uma habilidade especial; porém, a caverna é protegida por duas bestas selvagens poderosas. As pessoas que encontraram a caverna tiveram que retornar e relatar a situação ao clã", continuou.


Xiao She assentiu, ficando animado. "Passei três dias treinando na floresta, por isso não sabia. Então o clã está se preparando para lutar contra a besta selvagem e adquirir o pergaminho?"


"Isso mesmo, foi emitido um comunicado convidando os cultivadores dispostos a participar. A incursão ocorrerá amanhã", respondeu Ye Lin com os olhos brilhando.


"Você também pretende participar?" Questionou Xiao She, franzindo a sobrancelha.


"Claro!" Respondeu prontamente Ye Lin.


"Mas isso é muito perigoso, você é apenas uma criança", disse Xiao She.


A expressão de Ye Lin ficou um pouco estranha. "Somos todos cultivadores do Refinamento Básico; seja criança ou adulto, nossas forças são semelhantes."


Os olhos de Xiao She se arregalaram um pouco, então ele concordou: "Sim, somos todos cultivadores; a idade não importa, tudo o que importa são nossos níveis de cultivo e se temos determinação e coragem para isso."


Ye Lin assentiu e questionou: "Então, você também irá?"


"Claro, quando a missão for concluída, as pessoas que participaram serão recompensadas, e talvez até possamos estudar a técnica que está no pergaminho."


"Ótimo, então nos vemos amanhã!" Disse Ye Lin, antes de partir, animado.


Xiao She sorriu ao ver a empolgação do garoto e continuou seu caminho até sua casa.


*


Na manhã seguinte, em frente ao Clã Águia, vários cultivadores aguardavam. A maioria estava equipada com armaduras de couro e armas simples, até mesmo espadas e lanças de madeira. Apenas alguns possuíam armaduras e armas de metal, e mesmo estas não pareciam muito refinadas. Porém, todos estavam animados.


"Nosso clã finalmente conseguirá outro método de cultivo!" Exclamou um deles.


"Sim, quanto mais métodos de cultivo e técnicas possuirmos, maiores serão as chances de nosso clã se destacar", disse outro.


"Será ainda melhor se encontrarmos um método de cultivo com qualidade superior ao que temos atualmente", falou um terceiro, esperançoso.


Os outros acenaram em concordância.


Eles sabiam que quantidade nem sempre era o melhor; um método de cultivo de nível mais elevado pode ser mais valioso do que vários outros de nível inferior. Por isso, ficariam satisfeitos com mais um, mas seria ainda melhor se a qualidade fosse superior.


Xiao She e Ye Lin também estavam presentes; os dois permaneciam juntos, ao lado, ouvindo as conversas.


De repente, outro homem chegou, chamando a atenção de todos.


"O mestre do clã!" Exclamou um dos cultivadores.


"O mestre do clã irá pessoalmente?" Questionou outro, surpreso.


O homem que se aproximava era Jon, o mestre do Clã Águia.


Jon era um homem alto e musculoso, com cabelo bem penteado. Ele vestia um conjunto de armadura de metal que cobria quase todos os pontos importantes do corpo e carregava uma espada bem grande.


"Ouvi dizer que o mestre do clã entrou no Refinamento Ósseo há alguns dias; com ele presente, nossas chances de sucesso aumentarão bastante", comentou alguém.


Todos já tinham ouvido falar disso, então ficaram ainda mais animados; com alguém no Refinamento Ósseo se juntando à luta, a missão seria muito mais fácil e segura.


Jon olhou para os mais de vinte cultivadores presentes e assentiu com a cabeça, satisfeito.


"Temos muitos homens corajosos. Quando a missão for concluída, todos serão recompensados. Apesar de nosso clã ainda não possuir um tesouro muito grande, farei com que todos recebam algo satisfatório e, dependendo da contribuição, permitirei que estudem o pergaminho", disse ele, com a voz firme.


Os cultivadores comemoraram, gritando e aplaudindo; ninguém arriscaria a vida de graça, e ficaram extremamente satisfeitos com as palavras de Jon.


Vendo que conseguiu elevar o moral, Jon assentiu satisfeito, tomou a liderança e começou a guiar a todos.


Após mais de um dia de viagem, passando por terrenos acidentados e adentrando uma floresta, os cultivadores do Clã Águia finalmente chegaram à caverna que procuravam. Enquanto estavam escondidos, observando de longe, o líder do clã explicava a situação.


"As duas bestas selvagens se revezam para sair da caverna; elas nunca saem ao mesmo tempo, então é impossível conseguir o pergaminho sem lutar", disse ele.


Apesar de estarem longe, a caverna era bem aberta e não muito grande, permitindo que todos vissem o pergaminho de onde estavam. Além disso, era possível avistar uma besta selvagem, parecida com um grande javali, deitada na entrada da caverna; a outra besta não podia ser vista em nenhum lugar.


Um cultivador encarregado de vigiar as bestas relatou: "A outra besta selvagem acabou de sair; este é o melhor momento para atacar."


Se demorassem muito, teriam que esperar pela próxima troca das bestas; então o mestre do clã concordou.


"Ficarei como o principal responsável por atrair a atenção da fera; vocês devem me dar o máximo de apoio que conseguirem", disse ele.


Todos concordaram e partiram para a batalha. Jon empunhou sua espada enquanto avançava contra a fera.


Os olhos da besta ficaram vermelhos, e ela se levantou, pronta para massacrar esses humanos que ousavam invadir seu território. A fera rugiu e atacou os cultivadores.


A grande espada de Jon atingiu as presas da fera, mas não conseguiu causar nenhum dano; seus pés deslizaram alguns metros para trás, deixando marcas no chão.


Os outros cultivadores, incluindo Xiao She e Ye Lin, avançaram e atacaram pelas laterais.


A batalha foi intensa. O corpo da besta selvagem era muito resistente, e os cultivadores tiveram dificuldade para causar danos; muitos acabaram feridos, inclusive Ye Lin, que sofreu um grande corte no braço.


Depois de alguns minutos de uma batalha feroz, o corpo da besta finalmente caiu no chão, sem vida.


Os cultivadores comemoraram. Apesar de terem recebido alguns ferimentos, graças ao poder do mestre do clã, ninguém morreu.


Enquanto todos estavam imersos na alegria da vitória, um batedor chegou correndo, gritando: "Temos que sair daqui rapidamente, a outra fera está voltando!!"


Jon olhou para o corpo da besta, indeciso, mas, depois de um breve momento, deu a ordem: "Desistam do corpo da besta; vamos pegar o pergaminho e sair o mais rápido possível."


Todos ficaram um pouco relutantes, pois o corpo dessa besta selvagem era precioso – poderiam se alimentar de sua carne e fabricar armas e armaduras com sua pele e presas –, mas a vida era mais importante, e não estavam em condições de enfrentar outra fera de nível semelhante; então acataram a ordem e correram. Jon pegou o pergaminho e os seguiu.


Quando a outra besta selvagem chegou, tudo o que encontrou foi o corpo sem vida de seu companheiro. A besta rugiu de raiva e tristeza, mas não encontrou ninguém para desabafar.


*


De volta ao Clã Águia, os cultivadores receberam suas recompensas e se dispersaram.


"Trate esse ferimento adequadamente", disse Xiao She.


"Não se preocupe, não foi um corte muito profundo; limparei adequadamente e aplicarei algumas ervas", respondeu Ye Lin, sem parecer muito preocupado.


Xiao She assentiu, e os dois se despediram.


Ye Lin foi para sua casa, perdeu algum tempo convencendo seus pais de que seu ferimento não era sério e tratando-o; depois, foi para seu quarto.


Ao entrar no quarto, Ye Lin dirigiu-se diretamente a uma pequena escultura.


Ele se ajoelhou, fechou os olhos e começou a orar. Ele precisava agradecer ao Deus Kael por ter conseguido retornar em segurança.



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